Chegando em casa, senti um medo como nunca havia sentido, e percebi então como o mundo era injusto, apenas por questões financeiras, não poderia ter o amor da minha vida. 


Meu pai subiu comigo até meu quarto e trancou a porta, naquela hora já estava preparada para o pior, ele mandou eu me sentar e começou a falar extremamente irritado: 

- Catarina, isso foi a MAIOR humilhação que já me aconteceu, você se rebaixou ao nível de um ferreiro, ultrapassou os limites de tudo que tinha direito! Tantos nobres morrendo por você e você beija um ferreiro?!

Cabisbaixa senti meus olhos arderem em lágrimas, fiquei em silêncio em respeito ao meu pai, mas no fundo minha vontade era de falar muitas coisas para ele, por alguns instantes parei de ouvir meu pai falar e comecei a lembrar dos lábios de Victor tocando os meus, oh Deus, foi a melhor sensação que já tive na minha vida, tudo valeu a pena naquele momento, cada momento apreensiva pensando nele, as discussões com meu pai, tudo. Tudo fez sentindo naquele momento. Meus pensamentos foram interrompidos pelo grito de meu pai: 

- CATARINA, você não tem jeito mesmo! Dá para ver em seus olhos o quanto que você gosta daquele ferreiro, terei que tomar uma atitude rápida. Será para seu bem, hoje mesmo ordenarei os guardas a irem atrás dele. Hoje Catarina, hoje será o último dia que você o viu, esse menino vai sumir da sua vida por completo, você verá! - Desesperada fiz mil juras a ele, prometi me distanciar dele, mas nada fez com que ele mudasse de idéia.

Um tremor tomou conta do meu corpo, meu pai iria mesmo matar Victor apenas por eu ter beijado ele, isso era muito errado.

- Chega Catarina! A decisão já esta tomada, e você, não sairá desse quarto por muito tempo. - Disse meu pai abrindo a porta e saindo do quarto, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele fechou a porta e eu fiquei sozinha de novo. 

Minha cabeça estava a mil, não conseguia achar nenhuna solução para que meu pai não matasse Victor, a única chance era colocar um fim em tudo, um fim em minha vida.

Não sei quanto tempo fiquei pensando se isso seria a coisa certa, mas sei que cheguei à conclusão de que sim, eu iria salvar Victor, nem que isso custasse minha própria vida.

Foi disparada para janela do meu quarto, olhei a altura e me assustei, era alto, mas eu já estava certa da minha decisão, a vida de Victor era mais importante que a minha, e se meus pais não iriam aceitar, eu vou resolver. Subi na janela de modo que eu fiquei no batente da mesma.

E foi assim, na beira da janela de casa, aos prantos chorando por meu amado, que vi minha vida passar em cinco segundos...

Cinco, minha infância.... Quatro, minha familia.... Trés,o primeiro encontro com o amor da minha vida.... Dois, as pressões que me fizeram chegar aqui.... E o último segundo restante, foi como uma série curta de recordações de tudo que já havia acontecido em minha vida.

Esse último segundo, foi também, o último da minha vida antes de eu me transformar em um pássaro e voar em direção ao asfalto gelado daquele inverno que morava em meu coração.

                                    [FIM]


                                   [...]

Uma semana. Esse foi o período em que fui obrigada a ficar trancada no meu quarto por simplesmente, ter falado com um estranho plebeu. Não podia ao menos ir ao jardim, era do quarto para a sala de jantar e da sala de jantar para o meu quarto.

Durante todo esse tempo estive a pensar naquele lindo garoto, do qual nunca esquecerei nem em mil anos de existência! Ao anoitecer, observava o brilho das estrelas e puxa vida! Como elas lembravam-me do brilho de seus olhos. Aquela brisa suave lembrava-me de seu cheiro doce e ao mesmo tempo selvagem, encantador e a luz da lua crescente, me lembrava do seu ar de elegância e simplicidade. Tudo isso me faz pensar, qual o problema de vivermos um amor? Só porque somos de classes diferentes?.

Em meio aos meus devaneios, ouço a voz de Adelaide me chamando:

- Senhorita, gostaria que eu lhe trouxesse algo da cidade? Algum tecido para fazermos um novo vestido, ingredientes para fazer alguma receita que goste? - perguntou Adelaide entrando em meu quarto.
- Não, não quero nada - quando ela já ia saindo, soltei - Você poderia dar um jeitinho de me levar com você né?!
- Senhorita, perdoe-me, mas enlouqueceu?! Se seus pais descobrem que te ajudei a fugir do castigo, perderei meu emprego!
- Mas você é a única pessoa que me apoia e...
- Sim sou mesmo, até porque não acho certo que uma menina fique trancada dentro de um casarão, ainda mais com um coração tão bondoso quanto o seu, que faz o que pode e o que não pode para ajudar aos mais necessitados. Mas, em loucuras como estas, sinto muito minha querida, mas não poderei te ajudar. E ultimamente, seu pai anda desconfiando de mim e além do mais, já pensou se alguém te reconhece na rua? E se...

Apressei-me para falar:

- Tenho consciência de tudo isso que você esta me dizendo - fui até ela, lhe dei um beijinho na bochecha e pedi que se sentasse na cama comigo - Adelaide, você é a única amiga verdadeira que tenho, na verdade até mais que isso. Você fez coisas que nem mesmo minha mãe fez por mim - neste momento, seus olhos se encheram de lagrimas e não contemos a emoção.
- Agora chega de chororô - enxuguei nossas lagrimas e levantamos da cama - Você sabe o quanto eu gosto de sair por aí, ver as pessoas, sentir o vento em meus cabelos, pegar, sentir os tecidos, conversar com os comerciantes... - dei um longo suspiro e deixei-me cair na cama novamente enquanto ela continuava a andar pelo quarto.

Enquanto olhava para o teto, lembrei-me daquela festa, principalmente em como poderia ter me aproximado bem mais de Vitor Hugo e quem sabe, até teríamos nos beijado. E em meio a todas aquelas pessoas, meu mundo parou no momento em que nossos olhos se encontraram e pude sentir que ele retribuía todo aquele sentimento com tanta intensidade quanto eu sentia!

- Senhorita? Está me ouvindo? Catarina?
- Oi? Que? Estou sim - Adelaide me lançou um olhar como se pudesse ler a minha alma e fez aquela cara que só ela sabia fazer.
- No que esta pensando? É naquele rapaz não é? Como se chama mesmo? Augusto? Vic... Não me lembro.
- NÃO, CLARO QUE NÃO! - puxa como ela sabia? Apressei-me para responder - Só estava pensando... Se você vai ou não me levar com você. Além do mais, você sabe que se não for hoje, darei um jeito de sair mais cedo ou mais trade, com ou sem você - olhei ainda mais fixo para ela, cruzei os braços e disse: Então, o que decide?
- Ok! A senhorita venceu, mas se apresse e vista a roupa mais discreta que possui. Vou descer e avisar Judith que vou demorar mais do que pensei, antes que ela sinta minha falta na cozinha.

Fiquei tão feliz e dei tantos abraços, beijos e saltinhos que só depois que a porta se fechou que me dei conta de que essa era a grande chance que eu tinha para rever, e quem sabe, até falar com Vitor.

Depois de alguns minutos, desci as escadarias e vi Adelaide dando as instruções ao cocheiro, para que nos levássemos para o centro da cidade.

Durante o caminho, peguei-me pensando em Vitor. Qual seria seu efeito sobre mim? Os olhos, seu jeito? Bem, eu poderia ter tido sucesso em descobrir, mas um grito de Adelaide me despertou a atenção.

- Adelaide o que houve?! – perguntei assustada.
- Acho que tropeçamos em algo, não saía da charrete, vou ver o que aconteceu.

Adelaide seguiu em direção ao cocheiro, mas não demorou muito para voltar com as respostas.

- Senhorita, houve um problema com uma das rodas e o cocheiro me garantiu que quando chegarmos ao ferreiro, que esta próximo, ele dará um jeito

E assim que chegamos ao ferreiro, ele identificou o problema e nos disse que demoraria algumas horas, mas para não nos prejudicar, nos passaria para outra charrete, e realmente havia outra, e não só a charrete era diferente, mas  o cocheiro também. E o novo cocheiro era Victor.

- Esse é Hugo, Vitor Hugo e ele ira conduzir vocês até a cidade.

Não posso negar, ao velo meu coração bateu mais forte, pude sentir como se fosse saltar oara fora. Mas sendo filha de um duque,  deveria me portar como nobre e percebi que ele havia me entenfido. Adelaide observadora como sempre, percebeu cada movimento e respiração, virou-se de frente para mim e me deu uma piscadela.

No caminho, tive a vontade de pergunta por que ele havia me deixado na festa, mas sei que haverá um momento certo para essa pergunta.

Logo que chegamos ao centro, Adelaide fez algo que esperava.

- Senhorita, para agilizar nossas compras irei para este lado – e apontou para o leste -- e você fique olhando os tecidos. Hugo seu nome né?
- Sim – ele respondeu depressa. 
- Pois bem, Hugo acompanhe Catarina nas compras, por favor. Mulheres não devem andar desacompanhadas, mesmo que seja para a compra de tecidos ou verduras- disse Adelaide, e pude percebe um sorriso no final de sua fala. 

Adelaide saiu e dispersou-se em meio à multidão.

- Vamos? – Disse a Vitor Hugo.

Em seguida, paramos na primeira banca de tecidos que vi na minha frente, pois sabia que não tínhamos muito tempo.

- Victor, pode me ajudar? Qual destes tecidos te chama mais atenção? – percebi um pouco de resistência a pergunta, mas ele acabou respondendo:

- O vermelho, pois realça seu cabelo e sua pele, mas o azul realça seus olhos. Sinto muito mais acho que não sou muito qualificado para essa pergunta.

Instantaneamente meu rosto corou. Virei as costas para ele o mais rápido que pude, para disfarçar a vergonha que sentia.

Senti que alguém me observava fixamente, sabia quem era e surge aí o momento que tanto esperei.

- Porque me deixou sozinha naquela festa? Porque desapareceu sem nem me dizer de onde era? - nunca tinha sido tão direta em toda a minha vida.

Vitor me encarou de uma forma repreensiva e ficou em silêncio. Já não esperava que me responde-se e quando já me virava para a banca novamente, ouvi:

- Saí porque tinha medo. Medo de ver seu pai te punir na minha frente, afinal você faz parte da realeza e eu sou apenas um ferreiro.

- Não, não Vítor – coloquei a mão em sua boca como se dissesse uma grande besteira.

Novamente vi o mundo e as pessoas ficando em câmera lenta, até que tudo congelou e ficou em silêncio. Naquele momento só existia nós dois. Nunca havíamos ficado tão próximos – aliás, nunca tivemos a oportunidade de nos aproximar tanto. Nossas bocas estavam tão perto, que jurava não ter força para controlar a mim mesma, para não o beijar com tudo de mim.

- No instante em que te vi naquele salão e você me olhou tão fixamente quanto eu te olhava, senti que nosso amor era recíproco. Não tivemos a oportunidade de conversamos direito, mas foi intenso, foi real. Não podemos negar que houve sentimento.
- Catarina, a verdade é que depois que o nosso olhar se cruzou pela primeira vez, eu não aguentaria permanecer no mesmo ambiente que você e não te beijar.

Vitor me puxou para mais perto de si e eu o agarrei com todas as minhas forças, jurava que nada nem ninguém podia nos separar. Era como se a lua e o sol se encontrassem em um eclipse  e suave toque de nossos lábios, semelhante a uma flor de primavera.

Envergonhada e sem reação, passei a olhar os tecidos novamente e de relance vi Adelaide tentando me dizer algo, porém pela distancia não entendia, tentei focar no movimento de sua boca, e consegui entender apenas as palavras “seu pai”. Um frio percorreu meu corpo e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa senti uma mão forte segurar meu braço... Era meu pai...

Senti como se o mundo desmoronasse, meu pai estava furioso, para ele a nossa reputação e vida social era muito importante. Me ver beijando um ferreiro era a morte para ele.

Nunca havia me sentido tão acuada em toda a minha vida, Adelaide corria atrás de nós e meu pai me arrastava ferozmente para a charrete, chegando lá, me jogou em cima dela – mal esperou Adelaide subir-  e saímos com os cavalos a galope.

Olhando para trás com os olhos marejados, vi Vitor com um olhar desesperado, e senti em meu coração que aquela seria a ultima vez que o veria.

[...]

Já preparou seu café? Então prepare e aguarde o próximo e último capítulo. 

Bjos das autoras ;)



Foi naquela festa que eu o vi pela primeira vez, não sabia o porquê da mesma só sabia que aquele garoto tinha me causado infinitas sensações e que ele faria parte do meu destino.

Era possível que se todos ficassem em silêncio ouvissem o bater do meu coração, cada passo que dava era uma batida nova, cada vez mais perto daquele estranho encantador, pelo qual eu me apaixonei na hora, e foi naquele instante que eu percebi que ele seria o amor da minha vida.

Ao chegar perto dele, senti como se o mundo estivesse parado e ficado em câmera lenta, era incrível a sensação, todas aquelas pessoas dançando com seu traje formal de festa, desfocadas, e ele com uma roupa comum, cabelo meio jogado e aqueles olhos acinzentados, com perfeitos e compridos cílios.
Depois de uns segundos apreciando sua beleza, Deus como era lindo, resolvi conversar com ele, 

Custei a tomar coragem, mas falei...

-Olá, como se chama? - Disse extremamente nervosa.
- Oi -disse ele aparentemente nervoso- Vítor Hugo e a senhorita?
- Catarina, o que lhe traz a essa festa? É da nobreza? Nunca te vi pelas redondezas.

Cada palavra que eu dizia, aumentava a vontade de beijá-lo, mas depois dessa minha pergunta, percebi um nervosismo a mais, sua pele branca ficou vermelha na hora e percebi que ele olhava para traz de mim, curiosa como sou, virei para olhar o que ele havia visto, e quando virei de volta, ele não estava mais lá, fiquei tentando encontrá-lo e percebi de longe meu pai vindo rapidamente em minha direção. Não entendi porque estava vindo tão rápido, voltei a procurar Vítor Hugo, mas não o encontrei, de repente senti uma mão agarrando meu braço fortemente e me puxando para longe da multidão que se encontrava no salão de dança, assustada olhei e percebi que era meu pai, fiquei confusa sem entender o motivo dele estar tão furioso, mas continuei deixando ele me levar.

Chegando a um lugar mais afastado ele começou a gritar dizendo:

- Catarina! Por que seus olhos estavam brilhando enquanto falava com aquele serviçal? Ou melhor, por que estava falando com ele? Olhe o tanto de nobres que têm nesse salão e você fica falando com plebeus? Já não basta Adelaide, aquela empregadinha que você insiste em dizer que é sua amiga?!

A cada palavra que ele falava eu ficava mais confusa, meu pai tinha uma feição brava natural, era alto e um pouco velho, eu estava com medo, não entendia o motivo de tanta raiva, me perdi várias vezes nas falas dele e acabei ouvindo só o final...

- NÃO QUERO VER VOCÊ FALANDO COM ELE NUNCA MAIS OUVIU CATARINA?

Fiz que sim com a cabeça e puxei meu braço que ainda estava sendo segurado por ele, sai correndo e subi para o meu quarto, assustada fui para a janela e fiquei a observar a crescente lua, como me lembrava ele, o seu perfeito e lindo corpo, seu sorriso encantador e seus grandes olhos acinzentos, que me hipnotizavam cada vez mais, não sei explicar o que sentia por ele, mas sei que naquele momento senti que aquele homem, aquele estranho homem que apareceu naquela festa e sumiu do nada, iria mudar completamente minha vida.

[...]
Aguardem os próximos capítulos

Bjos das autoras ^-^




Olá leitor, tudo bem?

Nós somos Cassia, Tainara, Leticia e Ana, somos alunas do sesi 437 e temos entre 15 e 16 anos.

O intuito desse blog é compartilhar com vocês um romance e por meio dele mostrar o nosso conhecimento sobre o movimento Romantismo.

Na época do movimento existiu o "romance de folhetim", onde era publicado no jornal um capítulo da história por dia, até que a história chegasse ao fim.

Nossa história terá 3 capítulos e cada capítulo será publicado em uma semana  ou seja, também teremos essa característica do movimento presente.

Sabe qual o melhor? O primeiro capítulo sai na semana que vem ;)

Então peguem seus cafes e se preparem para o romance ♡.

Bjos e até a próxima :*