[...]
Uma semana. Esse foi o período em que fui obrigada a ficar
trancada no meu quarto por simplesmente, ter falado com um estranho plebeu. Não
podia ao menos ir ao jardim, era do quarto para a sala de jantar e da sala de
jantar para o meu quarto.
Durante todo esse tempo estive a pensar naquele lindo garoto, do
qual nunca esquecerei nem em mil anos de existência! Ao anoitecer, observava o
brilho das estrelas e puxa vida! Como elas lembravam-me do brilho de seus olhos.
Aquela brisa suave lembrava-me de seu cheiro doce e ao mesmo tempo selvagem,
encantador e a luz da lua crescente, me lembrava do seu ar de elegância e
simplicidade. Tudo isso me faz pensar, qual o problema de vivermos um amor? Só
porque somos de classes diferentes?.
Em meio aos meus devaneios, ouço a voz de Adelaide me chamando:
- Senhorita, gostaria que eu lhe trouxesse algo da cidade? Algum
tecido para fazermos um novo vestido, ingredientes para fazer alguma receita
que goste? - perguntou Adelaide entrando em meu quarto.
- Não, não quero nada - quando ela já ia saindo, soltei - Você
poderia dar um jeitinho de me levar com você né?!
- Senhorita, perdoe-me, mas enlouqueceu?! Se seus pais descobrem
que te ajudei a fugir do castigo, perderei meu emprego!
- Mas você é a única pessoa que me apoia e...
- Sim sou mesmo, até porque não acho certo que uma menina fique
trancada dentro de um casarão, ainda mais com um coração tão bondoso quanto o
seu, que faz o que pode e o que não pode para ajudar aos mais necessitados.
Mas, em loucuras como estas, sinto muito minha querida, mas não poderei te
ajudar. E ultimamente, seu pai anda desconfiando de mim e além do mais, já
pensou se alguém te reconhece na rua? E se...
Apressei-me para falar:
- Tenho consciência de tudo isso que você esta me dizendo - fui
até ela, lhe dei um beijinho na bochecha e pedi que se sentasse na cama comigo
- Adelaide, você é a única amiga verdadeira que tenho, na verdade até mais que
isso. Você fez coisas que nem mesmo minha mãe fez por mim - neste momento, seus
olhos se encheram de lagrimas e não contemos a emoção.
- Agora chega de chororô - enxuguei nossas lagrimas e levantamos
da cama - Você sabe o quanto eu gosto de sair por aí, ver as pessoas, sentir o
vento em meus cabelos, pegar, sentir os tecidos, conversar com os comerciantes...
- dei um longo suspiro e deixei-me cair na cama novamente enquanto ela
continuava a andar pelo quarto.
Enquanto olhava para o teto, lembrei-me daquela festa,
principalmente em como poderia ter me aproximado bem mais de Vitor Hugo e quem
sabe, até teríamos nos beijado. E em meio a todas aquelas pessoas, meu mundo
parou no momento em que nossos olhos se encontraram e pude sentir que ele
retribuía todo aquele sentimento com tanta intensidade quanto eu sentia!
- Senhorita? Está me ouvindo? Catarina?
- Oi? Que? Estou sim - Adelaide me lançou um olhar como se pudesse
ler a minha alma e fez aquela cara que só ela sabia fazer.
- No que esta pensando? É naquele rapaz não é? Como se chama
mesmo? Augusto? Vic... Não me lembro.
- NÃO, CLARO QUE NÃO! - puxa como ela sabia? Apressei-me para
responder - Só estava pensando... Se você vai ou não me levar com você. Além do
mais, você sabe que se não for hoje, darei um jeito de sair mais cedo ou mais
trade, com ou sem você - olhei ainda mais fixo para ela, cruzei os braços e
disse: Então, o que decide?
- Ok! A senhorita venceu, mas se apresse e vista a roupa mais
discreta que possui. Vou descer e avisar Judith que vou demorar mais do que
pensei, antes que ela sinta minha falta na cozinha.
Fiquei tão feliz e dei tantos abraços, beijos e saltinhos que só
depois que a porta se fechou que me dei conta de que essa era a grande chance que
eu tinha para rever, e quem sabe, até falar com Vitor.
Depois de alguns minutos, desci as escadarias e vi Adelaide
dando as instruções ao cocheiro, para que nos levássemos para o centro da
cidade.
Durante o caminho, peguei-me pensando em
Vitor. Qual seria seu efeito sobre mim? Os olhos, seu jeito? Bem, eu poderia ter
tido sucesso em descobrir, mas um grito de Adelaide me despertou a atenção.
- Adelaide o que houve?! – perguntei
assustada.
- Acho que tropeçamos em algo, não saía da
charrete, vou ver o que aconteceu.
Adelaide seguiu em direção ao cocheiro,
mas não demorou muito para voltar com as respostas.
- Senhorita, houve um problema com uma das
rodas e o cocheiro me garantiu que quando chegarmos ao ferreiro, que esta
próximo, ele dará um jeito
E assim que chegamos ao ferreiro, ele
identificou o problema e nos disse que demoraria algumas horas, mas para não
nos prejudicar, nos passaria para outra charrete, e realmente havia outra, e
não só a charrete era diferente, mas o cocheiro também. E o novo
cocheiro era Victor.
- Esse é Hugo, Vitor Hugo e ele ira
conduzir vocês até a cidade.
Não posso negar, ao velo meu coração bateu
mais forte, pude sentir como se fosse saltar oara fora. Mas sendo filha de um duque, deveria me portar como nobre e percebi que ele havia me entenfido. Adelaide observadora como sempre, percebeu cada movimento
e respiração, virou-se de frente para mim e me deu uma piscadela.
No caminho, tive a vontade de pergunta por
que ele havia me deixado na festa, mas sei que haverá um momento certo para
essa pergunta.
Logo que chegamos ao centro, Adelaide fez
algo que esperava.
- Senhorita, para agilizar nossas compras
irei para este lado – e apontou para o leste -- e você fique olhando os tecidos.
Hugo seu nome né?
- Sim – ele respondeu depressa.
- Pois bem, Hugo acompanhe Catarina nas
compras, por favor. Mulheres não devem andar desacompanhadas, mesmo que seja
para a compra de tecidos ou verduras- disse Adelaide, e pude percebe um sorriso
no final de sua fala.
Adelaide saiu e dispersou-se em meio à
multidão.
- Vamos? – Disse a Vitor Hugo.
Em seguida, paramos na primeira banca de
tecidos que vi na minha frente, pois sabia que não tínhamos muito tempo.
- Victor, pode me ajudar? Qual destes
tecidos te chama mais atenção? – percebi um pouco de resistência a pergunta,
mas ele acabou respondendo:
- O vermelho, pois realça seu cabelo e sua
pele, mas o azul realça seus olhos. Sinto muito mais acho que não sou muito
qualificado para essa pergunta.
Instantaneamente meu rosto corou. Virei as
costas para ele o mais rápido que pude, para disfarçar a vergonha que sentia.
Senti que alguém me observava fixamente,
sabia quem era e surge aí o momento que tanto esperei.
- Porque me deixou sozinha naquela festa?
Porque desapareceu sem nem me dizer de onde era? - nunca tinha sido tão direta
em toda a minha vida.
Vitor me encarou de uma forma repreensiva
e ficou em silêncio. Já não esperava que me responde-se e quando já me virava
para a banca novamente, ouvi:
- Saí porque tinha medo. Medo de ver seu
pai te punir na minha frente, afinal você faz parte da realeza e eu sou apenas
um ferreiro.
- Não, não Vítor – coloquei a mão em sua
boca como se dissesse uma grande besteira.
Novamente vi o mundo e as pessoas ficando
em câmera lenta, até que tudo congelou e ficou em silêncio. Naquele momento só
existia nós dois. Nunca havíamos ficado tão próximos – aliás, nunca tivemos a
oportunidade de nos aproximar tanto. Nossas bocas estavam tão perto, que jurava
não ter força para controlar a mim mesma, para não o beijar com tudo de mim.
- No instante em que te vi naquele salão e
você me olhou tão fixamente quanto eu te olhava, senti que nosso amor era
recíproco. Não tivemos a oportunidade de conversamos direito, mas foi
intenso, foi real. Não podemos negar que houve sentimento.
- Catarina, a verdade é que depois que o
nosso olhar se cruzou pela primeira vez, eu não aguentaria permanecer no mesmo
ambiente que você e não te beijar.
Vitor me puxou para mais perto de si e eu
o agarrei com todas as minhas forças, jurava que nada nem ninguém podia nos
separar. Era como se a lua e o sol se encontrassem em um eclipse e
suave toque de nossos lábios, semelhante a uma flor de primavera.
Envergonhada e sem reação, passei a olhar
os tecidos novamente e de relance vi Adelaide tentando me dizer algo, porém pela distancia não entendia, tentei focar no movimento de sua boca, e consegui
entender apenas as palavras “seu pai”. Um frio percorreu meu corpo e antes que
eu pudesse fazer qualquer coisa senti uma mão forte segurar meu braço... Era
meu pai...
Senti como se o mundo desmoronasse, meu
pai estava furioso, para ele a nossa reputação e vida social era muito
importante. Me ver beijando um ferreiro era a morte para ele.
Nunca havia me sentido tão acuada em toda
a minha vida, Adelaide corria atrás de nós e meu pai me arrastava ferozmente
para a charrete, chegando lá, me jogou em cima dela – mal esperou Adelaide
subir- e saímos com os cavalos a galope.
Olhando para trás com os olhos marejados,
vi Vitor com um olhar desesperado, e senti em meu coração que aquela seria a
ultima vez que o veria.
[...]
Já preparou seu
café? Então prepare e aguarde o próximo e último capítulo.
Bjos das
autoras ;)